Domingo, 12 de Abril de 2009

Mercado: Renault Twingo

Bem, esta matéria foi induzida por uma pessoa que tem uma queda pelo Renault Twingo. Este carro, apesar de ter parado de ser comercializado aqui no Brasil em 2002 merece certa atenção, não diretamente proporcional ao seu tamanho.


Chamado injustamente de patinho feio, lançado em 1993, entrou no Brasil em 94, o Twingo é um carro que poderia partilhar a história de sucesso do Ford Ka: é um carro pequeno, pra quatro pessoas, bem produzido, com foco urbano, confortável e com acabamento muito bem elaborado. Versátil, apesar do porta-malas comportar menos que 170 litros (um Ka da primeira geração levava quase 190), ele já possuia recurso do branco traseiro corrediço, e quando dobrado, pode levar mais de 1000 litros.

Seu motor é condizente com seu tamanho diminuto - começou a ser vendido com um motor 1.2 de 55 cv importado da França, em 99 passou a ter um novo motor 1.0 8V de 59 cv, e em 2002 recebeu cabeçote de 16 válvulas, passando à 68 cv. São números acanhados, mas comparáveis aos nossos 1.0 da época e, dado seu tamanho, lhe proporcionava um desempenho justo.

Tamanho não é documento - Este carro tinha acabamento de padrão internacional. Enquanto nossos carros por aqui não tinham nem direção hidráulica, nem vidros elétricos, air-bag era luxo inimaginável em carros desta categoria. Mas o Twingo tinha estas bolsas infláveis na maioria das versões, além das barras de proteção lateral. Ponto para os importados da época. Em 99, quando passou a vir do Uruguai, foi inaugurado a versão Pack, que incluia ar condicionado, vidro elétrico, e CD player com comando no volante. Na sua despedida, em 2002, veio o pacote de luxo Initiale, que contava inclusive com rodas de liga leve, bancos de couro e faróis de neblina.

No mercado de usados, o Twingo é coisa não muito comum de se ver, mas quem tem garante que é um bom carro e que aguenta o tranco. Há algumas versões consideradas 'mico', como a Easy, que conta com um sistema de embreagem automática - algo como o Palio Citymatic. Nestas épocas de IPI reduzido pra acalmar a crise, o que fez os preços dos carros darem uma reduzida geral, com R$ 12 mil é possível barganhar por uma versão 2001, completa. O segredo de manter este carro andando é a nossa velha conhecida manutenção preventiva.


Lá fora as coisas são diferentes - É uma pena que a Renault tenha parado de importar (ou até pensasse em fabricá-lo por aqui) este carro. Na Europa ele virou carro de gente grande, e se ele estivesse aqui, com certeza roubaria a cena do Citroën C3, ou do Peugeot 207. Tudo bem que ele é menor que estes concorrentes, mas dado seu carisma e design cativante ele teria um público devoto de carteirinha.

- Vinícius Esgalha, que até teria o trabalho de comprar um Twingo antigo e restaurar, só pra dar pra pessoa supra citada. Mas falta dinheiro.

Quinta-feira, 31 de Julho de 2008

Ponto de Vista: Ka ou Celta?

Dois carros pequenos, dois concorrentes diretos, duas escolhas em potencial. Qual você levaria pra sua garagem?
É verdade que os dois não estão sozinho no páreo, mas eles disputam uma briga mais íntima: os dois nasceram na era do carro popular (Mille e Gol nasceram antes desta época), foram criados com conceitos urbanos, visando sempre a economia - quer seja de espaço, de combustível, ou mesmo no projeto.

Não vou citar sobre o Novo Gol (aquele da propaganda com Sylvester Stallone) que começa custando um pouco a mais, e é a vedete do momento. Também não vou falar aqui sobre 207, Fox, Palio, e outros carros, que apesar de merecerem atenção, não são o foco aqui.
São dois carros que compartilham a mesma motorização - o Ford Ka também existe na versão 1.6L, mas com um preço um pouco salgado - são praticamente do mesmo tamanho, e oferecem praticamente o mesmo conforto e itens de série e opcionais equivalentes.

O Ford Ka foi reestilizado no primeiro semestre deste ano, e seu desenho finalmente caiu no gosto do público. Ele finalmente pode levar 5 passageiros (antes eram 4), seu porta-malas cresceu consideravelmente, e é alguns litros maior que do Celta. Como principais itens de série, ele vem com pára-choques na cor, travas elétricas, e alarme com comando que abre até o porta-malas. E só.

O Chevrolet Celta foi reestilizado há um pouco mais tempo, mas continua com design atual, tem o Chevrolet Prisma a seu favor, dando ânimo à família e a seu desenho. Se a reestilização não foi uma unanimidade, ele está melhor que a versão anterior, e a qualidade do material do painel e outras peças plásticas estão bem superiores que as da versão antiga. O Celta na versão básica Life vem de série com painel com conta-giros... e de resto você tem que incluir opcionais, vinculados à pacotes. O para-choque é preto, a menos que se pague pela versão intermediária Spirit.

Com motores 1.0, relações de marchas curtas (curtíssima, no caso do Celta), eles têm os melhores motores 1 Litro da atualizade: são 73 cavalos (@ 6000 RPM) no Ford Ka, e 70 cavalos (@ 6400 RPM) no Celta, ambos rodando com álcool. Não espere resutados de 0 a 100 km/h, e velocidade máxima impressionantes, o foco dos dois é o 'anda-e-pára' da cidade, onde seu comprador passa a maior parte do tempo. Aproveitando o bom torque e as marchas curtas, o consumo de combustível é bastante reduzido, e esse é um dos grandes motivos do sucesso de vendas deles.

Os dois são fáceis de dirigir, mas neste quesito, o Ka leva uma ligeira vantagem, por ter uma suspensão mais acertada, e ter uma direção leve, mesmo sem assistência. Mas quem dirige o Celta não se decepciona, que também tem uma estabilidade boa, e acompanha a curva de acordo com os comandos do motorista. O Celta tem uma vantagem em cima do Ka, que são as 4 portas. Uma facilidade que a Ford insiste em não oferecer para não canibalizar o Fiesta.

Para comprar qualquer um deles, o preço começa na faixa dos 26 mil reais (R$ 26.190 para o Ka, e R$ 26.759 para o Celta). No caso do Celta, que já perdeu a fama de novidade, é possivel chorar um bom desconto na hora de fechar negócio, já o Ka estava sendo vendido com ágio até recentemente - é o preço que se paga pra ter um carro que ninguém tem (ou não tinha). Na hora de vender, os dois também são os modelos que menos desvalorizaram nos últimos meses, e a venda é garantida, tamanha é a procura. Em questão de seguro, ponto para o Ka, que é dono do menor prêmio, por ser menos visado para roubo, e ter indice de reparabilidade, concedido pelo Cesvi, menor que do Celta.

Enfim, são dois carros que tem prós e contras semelhantes, e quem compra, faz sua escolha mais emocionalmente, já que racionalmente os dois são ótimas opções. Particularmente? Eu prefiro o Ka, que tem um desenho cativante.

- Vinícius Esgalha, que tinha um Celta Super e fazia curva à 90 graus com o freio de mão.

Sábado, 31 de Maio de 2008

Ponto de Vista: Nova Palio Weekend

"Agora sim". Aposto que é o que todo mundo deve pensar ao ver a nova Fiat Palio Weekend, e a sua irmã mais bem vestida, a Palio Weekend Adventure. Ou não.. afinal sempre tem um do contra. Mas é fato que elas estão em sua melhor roupagem.

O farol dianteiro tem o auxílio das lentes iguais às do Novo Siena, e diferente do lançado no Novo Palio: funcionam melhor, são biparábola, e não são feias iguais ao hatch.


A Fiat está abusando dos cromados, ao melhor estilo Audi: Grade em 'H' na frente, com cromado em cima e em baixo. Mas diferentemente do Siena, os cromados só afetam a versão de entrada, a ELX, somente disponível com motor 1.4 de 86 cv. Na versão Adventure, disponível somente com motor 1.8 da antiga Powertrain, os cromados não aparecem, e dão lugar à bela grade dianteira, bem desenhada e harmônica.



















A Fiat estréia uma nova versão com a linha 2009: é a Palio Trekking - uma versão intermediária, disponivel somente com o motor 1.4, que tem alguns aspectos de fora de estrada leve, mas bem menos que na Adventure.



















Parenteses: O nome Trekking já foi usado anteriormente, e foi inaugurado na Fiorino, para atrair um pouco o público jovem pra uma picape que só tinha uma vocação: trabalho.

O grande trunfo desta vez ficou por conta da traseira, onde as antigas lanternas em formato de panetone deram lugar à um conjunto óptico horizontal, inspirado nos primos ricos da Alfa Romeo.

A Fiat está lançando junto com a versão Adventure, um opcional exclusivo: o Diferencial Autoblocante, que ela preferiu chamar de Locker®.

No site de lançamento da perua, é possivel ver a seguinte frase: "Mas a grande surpresa está em uma inovação tecnológica da Fiat: Adventure Locker®. Um exclusivo sistema de bloqueio de diferencial que dá ao veículo condições de superar situações fora-de-estrada como pisos escorregadios, irregulares ou atoleiros. Perfeito pra quem adora ver o carro coberto de lama". Alto lá - não pense que você está comprando um autêntico 4x4 como a versão 4WD da Ford EcoSport, na Fiat o diferencial autoblocante tem mais utilidade publicitária do que num atoleiro, afinal ele só atua nas rodas dianteiras, não chega a ter uma eficiência digna de honras, e promete sair de uma situação em que poucos compradores desta perua vão vivenciar.

Por dentro, nenhuma mudança significativa: o painel segue o mesmo desenho da terceira geração, com apliques cinzas. Os mostradores seguem o desenho duvidoso do que foi lançado no Palio Hatch, com o indicador de combustível digital. A exceção fica com a versão Adventure, que mantém os bem resolvidos mostradores antigos, e para melhorar o visual fora de estrada, a Palio adventure pegou emprestado da Idea Adventure a bússola e os inclinômetros que ficam em cima do rádio.

Mecanicamente, a única que sofreu alterações foi a suspensão da versão Adventure, que foi reprojetada e dimensinada para ficar 2 cm mais alta, porém mais firme que sua antecessora. Os motores são velhos conhecidos, e já estão desatualizados, carentes de uma melhoria tecnológica - em tempo, a Fiat deve lançar o motor 1.9, juntamente com o sucessor da linha Marea, o Linea.

No conjunto, essa é a melhor Palio Weekend feita pela Fiat. Todos sabemos que a Palio Adventure sempre foi a vedete da Fiat, que estreou o segmento de Fora-de-estrada leve - agora ela tem mais motivos para comemorar.

- Vinícius Esgalha, que tem saudades da versão Stile da familia Palio.

Quinta-feira, 22 de Maio de 2008

Logo & Feed

Estava dando uma olhada no blog (é que eu costumo ler o próprio AutoDreams por RSS, pra saber se a ferramenta está funcionando corretamente... Descobri que tem um delay de até uma hora pro post aparecer por lá, mas de resto, os feeds estão caminhando bem), e então reparei que o blog tá com uma cara meio murcha.

Não por falta de conteúdo, mas o visual desse layout padrão do Blogger é meio apagado. A intenção era que fosse discreto, mas não monótono. Então famos fazer o seguinte: quem tiver dotes artisticos, sabe mexer bem com Corel, PhotoShop, e até com o Paint, e quiser ajudar a criar um logo legal, com a cara do site, deixa um comentário, manda um e-mail, se não souber o e-mail, pode pedir nos comentários.

Eu entro em contato, e podemos combinar alguns detalhes. =]

É isso!

- Vinícius Esgalha.

Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Ponto de Vista: Transito de São Paulo

É difícil começar um assunto desses, sem ser repetitivo: a cidade que não podia parar, parou. São Paulo não suporta mais o trânsito de hoje. Recordes de transito são registrados dia após dia.

Compartilhem comigo a frustração que é dirigir em São Paulo:


Qual a causa deste trânsito? Inúmeras: manutenção dos carros, precariedade das vias, auto-escolas que não ensinam a dirigir, motoristas com CNH comprada, imprudência, acidentes, transporte público sucateado, e outras sem-número de causas, que se resumem a um só problema: quantidade de carros.

Medidas Paliativas
Há muitos carros circulando, isto é fato. Há meios de diminuir? Poucos. É possível promover renovação de frota, incentivando a venda de carros zero Km, mandando para ferros-velho carros antigos e tirar de circulação carros sem condições de andar. Com isso iríamos reduzir acidentes, diminuir os índices de poluição, e melhorar a qualidade do transito - Mas a experiência prova que isso somente fez aumentar desenfreadamente a quantidade de carros existente.

É possível também investir em manutenção das rodovias, ruas, estradas e avenidas, aumentando sinalização, organizando o tráfego, mantendo asfaltos e calçadas em perfeitas condições. Com isso teríamos uma melhor fluidez do trânsito - Mas a realidade é que o custo/benefício desta ação é muito alto.

Também dá pra investir em um sistema de Auto-Escola que realmente ensine motoristas a dirigir, e não simplesmente a passar na prova prática, que consiste em dar uma volta no quarteirão. Assim teríamos motoristas realmente habilitados para dirigir decentemente - Mas na prática, a máfia que existe por trás das auto-escolas não deixa isto acontecer.

Tudo o que foi citado acima são medidas paliativas, que na prática, não chegam a surtir efeito significativo. Se voltarmos 10 anos atrás, São Paulo estava próximo do caos que está hoje, e foi então implementado uma outra medida paliativa: o rodízio de veículos. Em outras palavras, tapar o sol com peneira, e adiar o problema que poderia ter sido resolvido (ou minimizado) naquela época.

Luz no Fim do Túnel
O que deve ser feito, sem promessas eleitoreiras, é definitivamente investir no transporte público de larga escala – ferrovias, e corredores de ônibus. Só que é fácil pra um político falar que vai fazer novas linhas de metrô, modernizar os trens, fazer rodoanel, sendo que não há verba para isso. Uma alternativa, muito criticada por quem não entende a fundo como funciona, é a concessão. O que deveria ser feito é abrir concessões para linhas de metrô, com metas para ampliar a malha ferroviária em pelo menos 200% em cima dos pouco menos de 100 Km de linhas de metrô existentes.

Ainda outra alternativa para a obtenção de verba destinada para este tipo de investimento, é formar concessão sobre vias principais, como as marginais, implementar pedágios, com a intenção de financiar as obras de metrô, trem, rodoanel, corredores de ônibus, etc.

Sei que ninguém gosta de pagar pedágio, e esse é um dos grandes motivos pelo qual ele funciona: ninguém gosta de colocar a mão no bolso, e com isso, temos menos carros circulando. A propósito, segue uma ótima analogia de pedágio.

O pedágio é uma forma de incentivar o uso de transporte coletivo; é um ótimo método para diminuir a imagem de status que o carro proporciona, e que faz levantar suas vendas; é o melhor jeito de cobrar dos que mais têm dinheiro, que não abrem mão do conforto do carro; de cobrar de quem realmente precisa andar de carro, e justamente por estar presente, é quem colabora com o transito; e de inibir a utilização do veículo por quem tem alternativas e que pode colaborar com a diminuição do transito usando o ônibus, caminhos alternativos, bicicleta, jegue, carona, a pé, etc. Há projetos tramitando para que haja desconto no IPVA para quem paga pedágio. Nada mais justo, afinal o IPVA não é usado devidamente, e o pedágio, por estar sob comando da concessão, irá obrigatoriamente retornar em investimentos em transporte.

É isso.

- Vinícius Esgalha, que também não gosta de pagar pedágio, mas considera dos males, o menor.

Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

Quatro Rodas Experience


Tá rolando de novo o Quatro Rodas Experience! Aquele evento da revista Quatro Rodas que acontece no Autódromo de Interlagos, onde você tem o direito de dirigir alguns carros que normalmente são só sonhos.

Mediante o pagamento, você adquire seu ingresso, com direito a um test-drive em um carro à sua escolha. Tem desde Renault Sandero e Chevrolet Meriva EasyTronic, até VW Touareg e Citroën C6. Sem contar os carros especiais, como um Hummer, um Ford Mustang, um Nissan 350Z, Corvete Z06, Ferrari e Lamborghini. Estes últimos, você tem que ir no banco do passageiro: quem dirige é um piloto profissional com liberdade para ultrapassar os limites de velocidades estipulados para a pista.

Há ainda uma pista de Off-Road e este ano há também a opção de test-drive em motos. O evento tem diversos outros itens que dá pra conferir no site. Dependendo da sua disponibilidade e da sua paixão por carros, vale a pena!

- Vinícius Esgalha, esperando pa(i)trocínio para participar do evento.

Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Mercado: Aberrações Automotivas

Alguém já parou pra se perguntar porquê temos alguns Frankensteins sobre rodas andando nas nossas ruas? O pior é saber que eu não estou falando de carros velhos. Estou falando de carros zero kilometro.

Vamos começar com um lançamento que está por vir, e está prometido pra este ano: o Peugeot 207. Com certeza muita gente já viu fotos do 207 que estão lançando na Europa. Você viu? Pois bem, esqueça. A Peugeot lançará o 207 no Brasil em cima do modelo atual 206, com algumas mudanças estéticas que o deixará muito semelhante ao modelo 207 europeu. Em outras palavras, novo Peugeot 206 e meio: um frankenstein para o povo brasileiro.

Um outro exemplo de amargar é o VW Golf. Vamos imaginar a seguinte situação: a Volks mantinha em nosso mercado o Bora e o Golf em suas quartas gerações. Foi o primeiro Golf produzido no Brasil (seu antecessor, o primeiro modelo de Golf no Brasil, era importado), e foi a primeira vez do Bora (também conhecido por Jetta em outros países) no Brasil. Até aqui, tudo perfeito.. Mas não parou por aí... A VW lançou a quinta geração do Golf na Europa (aliás, a sexta já está no forno), e aqui pros tupiniquins ela decidiu que a quarta geração tava bom demais - deu um tapa no visual, e saiu esse Golf IV e 1/2. Sinceramente aquela frente de bagre não dá pra engolir. Só para comparar, você prefere o Golf deles, ou o nosso Golf? Para se ter uma idéia, o Jetta (ou Bora) é o mais próximo do que se entende por Golf Sedan - em outras palavras: o nosso Golf devia ter a mesma cara, tamanho, peças, qualidade, e afins que o Jetta que todo mundo conhece.

Aliás, nem vou aprofundar na família Golf no Brasil, que é mexer em vespeiro. Tome exemplo que temos o VW Jetta e o VW Bora vendendo descaradamente juntos como se fossem carros diferentes. Que o nosso mercado é defasado em relação à Europa não é novidade, mas o que está acontecendo agora não é simplesmente o atraso em relação à eles, e sim que as montadoras estão quase subjulgando o consumidor daqui.


Nenhuma montadora fica livre desta façanha não. Até a mais inocente Chevrolet recentemente teve a cara de pau de lançar o novo Vectra por aqui. O engraçado é que lá fora ele é conhecido como Astra, e o Vectra por lá é um senhor de um carro, de categoria superior ao Astra. Realmente o Vectra É de uma linha superior ao Astra, e sempre foi assim. Não me admira se a GM lançar o Corsa de lá como Astra aqui...

Antes que alguém pergunte, a Chevrolet é um nome fraco na Europa. Lá eles conhecem como Opel, uma outra subsidiária da GM. E nesta comparação que estou fazendo, é difícil comparar com o mercado Norte Americano, pois num mercado em que se vende Hummer e ainda vende Impala, um Chevrolet Omega 3.8 V6 com seus 6 metros de comprimento é considerado um carro médio. Vectra, Astra, Corsa e outros semelhantes não chegam a serem difundidos no mercado deles.


Pra finalizar o circo de horrores, tem uma outra figurinha que tá batendo ponto em tudo quanto é lugar: o Renault Logan. Ele não foi montado em cima de nenhum outro carro, e faz parte de um outro tipo de aberração - as múmias. Fala a verdade: quando você vê um Logan, não dá saudades da Lada? É um carro que existe há um bom tempo sem sequer ter remodelações em projeto, é vendido pela Dacia na Romênia, um país do leste europeu menos favorecido. E eis que foi implantado no Brasil como novidade, e em uma categoria, digamos, 'nobre' entre os compactos. Este Logan é um compacto por natureza, não de tamanho, mas de preço, só que entre os consumidores brasileiros, ele ganhou charme e recebeu preço um pouco mais alto do que o praticado no mercado de origem.

Há muitos outros exemplos, que nem precisam ser citados. O que eu peço aqui, é que os fabricantes tenham menos cara de pau de lançar um modelo velho maquiado, e comecem a investir mais num mercado grande, e em amplo crescimento que é o nosso.

- Vinícius Esgalha, que queria ter no Brasil o poder de opção que tem um europeu.